Toda vez que deparo com alguém vomitando ódio contra esta ou aquela pessoa me vem à cabeça a pergunta: “qual é a verdadeira razão desse ódio?”
Aí eu ouço. Ouço e analiso. Analiso e concluo. Às vezes guardo as conclusões para mim, às vezes é impossível não as publicar.
Esses dias encontrei um amigo. O caboco vociferava contra a ex-namorada: “vagabunda, porca, FDP, bandida, depravada, coxa-branca, admiradora do Virso, gorda e burra!”.
Ofereci um marlborinho vermelho pro irresignado e ele fumou em duas tragadas, tamanho era o ódio. Ofereci mais um e o cidadão não recusou. O amigo era um dragão elevado à potência menos um (em vez de soltar fumaça, ele a engolia. Diz a Matemática, se não estou enganado, que quando se eleva um número a menos um ele se inverte, e se não for isso deve ser quase. E se não for nem quase, façam de conta que não leram isso, afinal fiz meu segundo grau no Colégio Camões).
Ao final da prosa, garantiu-me o amigo esfumaçado: “Inda bem que eu terminei com ela!”.
Pensei: “Truco! Ela que te chutou a bunda, seu coisa feia! Teu ódio é amor. Amor não correspondido, mas é amor!”. E não falei isso pro cara, pois corno é bicho perigoso.
Passaram-se dois dias e vi a ex-namorada dele perto do Müeller. A guria tava de mãos dadas com outro caboco. Tentei desviar, mas ela me viu e veio: “Rafael, você por aqui? Quanto tempo! Soube que eu terminei com o seu amigo?”.
Quase respondi: “Pois é, soube por meio dele, que inclusive disse que tu é, em linhas gerais, uma biscate!”. Mas limitei-me a dizer: “Não diga!”. Aí que a menina disse: “A gente ficou juntos quase quatro anos, mas ele era possessivo demais, ciumento, não tinha objetivos, tava bebendo muito: não dava mais!”.
Eu, com quase 37 anos na cara, concluí: “Safadona, tu largou o cara porque esse caboco aí tem mais tutu do que o outro! Esse playba aí tá fazendo mais quilometragem com menos cachaça, Messalina!”.
Daí nos despedimos. Ela foi embora de mãos dadas com o “bola da vez”, eu aproveitei pra dar um confere nela e segui meu caminho com a sentença martelando minha cabeça: “O meu amigo, coitado, ainda é louco por ela; mas ela tá nem aí pra ele, já tá noutra “vaibe”, já tá dando mais do que gripe em creche da prefeitura no inverno”.
E aí me veio mais uma conclusão: “Só odeia quem perde. E quem perde muito!”.
Daí eu vejo jornalistas, colunistas, torcedores, blogueiros, forunistas, tuiteiros, etc. – QUE SE CALARAM POR TRÊS LONGOS ANOS DIANTE DAS MAIORES BURRADAS DO SR. MARCOS MALUCELLI – descendo a ripa no Petraglia, sem dó e sem piedade, decorridos apenas 5 meses do mandato.
Toda vez que deparo com alguém vomitando o seu ódio me vem à cabeça a mesma pergunta: “qual é a verdadeira razão desse ódio?”
Só odeia quem perde. E quem perde muito!
Certamente, os “puros”, os cínicos, os dissimulados irão me dizer: “perdemos o paranaense para o Coritiba! Por isso sentimos ódio!”.
Responderei: TRUCO! Com o finado MM nós perdemos 2010 e 2011, e vocês, CONIVENTES, calaram a boca! Não criticaram! Não censuraram!
Certamente, eles irão me dizer: “perdemos a vaga nas semifinais da Copa do Brasil-12!”
Responderei: TRUCO! O “saudoso” MM meteu o Atlético na Segundona, e vocês, ANESTESIADOS, calaram a boca! Não criticaram! Não deram nomes aos bois e muitos ainda foram apoiar a chapa que trazia no DNA as deformações genéticas da aberração chamada “Administração Mais Chuteiras”.
A “Administração Mais Chuteiras”, em verdade, começou apoiada pelo Petraglia, mas lhe virou as costas logo nos primeiros dois meses (e dela só absolvo o meu amigo Gláucio Geara, pois, quando foi preciso, deu porrada na mesa em nome da Copa do Mundo de 2014 na Arena da Baixada).
Eu, com quase 37 anos na cara, não vou cair na conversa mole de gente tipo o Airton Cordeiro – que tem ódio do Petraglia por questões políticas que remontam ao ano de 1988 – e quer posar de santo dizendo que contra o Atlético Paranaense ele não tem nada. MENTIROSO! Eu tinha 6 anos de idade, ouvia a Rádio Atalaia e o seu Airton Cordeiro já metia o cacete no Atlético a ponto de me deixar brabo (isso foi em 1982!).
Só odeia quem perde. E quem perde muito! O Airton Cordeiro perdeu (ou deixou de ganhar) muito nas eleições de 1988. Quem transita pelo mundo da política (ou já transitou por ele, como eu) sabe a história nos detalhes. Ele pode tentar camuflar as raízes do seu ódio, mas metade de Curitiba sabe a verdadeira verdade e a outra metade quando ouvir vai entender os porquês do ódio do seu Airton contra o Petraglia.
Defendo, por princípio, que todo homem deve opinar livremente. Leio tudo que escrevem sobre o Atlético. Tenho amigos petraglistas e amigos anti-Petraglia. Leio todos, concordo e discordo, mas defendo o direito sagrado da opinião.
Mas opinião feita sempre com a tinta do ódio deixa de ser opinião para ser perseguição.
E perseguição me lembra a ditadura, a covardia, o desequilíbrio de forças. Eu, por princípio, sou avesso a perseguições, à crítica pela crítica, à detração, aos reiterados golpes contra a mesma carne.
Quando leio um texto, cujo autor sistematicamente critica – sem nunca, nunca mesmo – ver valor no seu “adversário” sinto nojo e deixo de ler os textos e o autor, pois passo a vê-lo não como um crítico inteligente, mas como um detrator burro, sem razão e sem isenção, esta tão importante àqueles que ousam opinar.
Eu, nos últimos 8 anos e meio, em mais de 400 colunas, critiquei muitos, mas sempre me preocupei em ser justo.
Aplaudi, vibrei, torci e parabenizei a Administração MM quando do título estadual de 2009 (a coluna está no “Fala, Atleticano”).
Noutro momento, em coluna publicada no cap4ever, parabenizei a Diretoria do MM pela contratação do então promissor Bruno Mineiro.
Fui isento. Critiquei quando entendi que mereciam críticas; aplaudi, quando mereceram aplausos.
Isenção: é só isso (ou é tudo isso) que se espera de alguém que escreve movido pela paixão ao nosso Atlético Paranaense. Paixão interessada apenas no bem e no crescimento do Atlético. Paixão que une os torcedores em torno do nosso bem comum: o Atlético Paranaense. Não uma paixão que divide, segrega, intriga, ofende, detrai e só vê defeitos naqueles que, a duras penas, empreendem em prol do crescimento do CAP.
Ao leitor/torcedor comum (assim como eu) deixo consignado: só odeia quem perde e quem perde muito! Passe a ler com reservas (com desconfiança) aqueles que só criticam.
Eles, certamente, perderam muito e inocente será aquele que acreditar que a perda foi só emocional (é a perda de poder, é a perda de tudo que o poder produz: é disso que eles se ressentem, é esta a origem de tanto ódio).
A crítica é um direito e deve ser exercida. A torcida quer time, quer subir e tudo isso é direito dela, é liberdade de expressão. Tem que virar colunas, tem que vir a público, tem que gerar o bom debate das ideias. Tem que fazer o Furacão crescer!
Mas só críticas, vão me desculpar, não é exercício da liberdade: é exercício pra paciência (e pra inteligência) daqueles que, como eu, não nasceram ontem.
O torcedor-leitor comum (como eu) não é burro e não é cego: não subestimem a nossa inteligência. A gente sabe ler o Mundo há tempos. A gente sabe ler o mundo, as colunas e, principalmente, o ser humano (em todas as suas expressões)…
Rafael Lemos
r.lemos4ever@gmail.com