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Os segredos de Matthaus no Furacão.

Almoço cronometrado, cervejinha e ultimato da mulher: os segredos de Matthaus no CAP

ORLANDO KISSNER/AFP/GETTY IMAGES

Lothar Matthaus Treino Atletico-PR 31/01/2006
Matthaus dá instruções durante treino do Atlético-PR: alemão foi embora invicto

Lothar Matthaus, um dos maiores jogadores da história do futebol alemão e campeão da Copa do Mundo de 1990, foi apresentado como técnico do Atlético-PR no dia 31 de janeiro de 2006, para júbilo dos torcedores rubro-negros. No dia 7 de março, após oito partidas, com seis vitórias e dois empates, embarcou em um avião e se mandou para a Alemanha, sem se despedir de ninguém. Ninguém entendeu nada…

Os poucos meses que Matthaus passou no comando do CAP, porém, foram recheados de histórias curiosas e polêmicas. Quem conta é um dos homens mais próximos do alemão naquele período: Vinícius Eutrópio, hoje técnico da Chapecoense e auxiliar do campeão do mundo durante sua rápida passagem pelo futebol brasileiro.

“O Lothar foi um cara muito importante pra mim, porque, mesmo que a gente tenha convivido pouco tempo, ele foi um cara treinado pelos melhores técnicos da Europa, e naturalmente me ensinou muito do que aprendeu. E como pessoa, era um cara sensacional, engraçado, uma figura”, lembra Eutrópio, em entrevista à Rádio ESPN.

Uma das histórias mais saborosas dos tempos de Matthaus em Curitiba aconteceu logo em sua chegada. A equipe vinha sendo comandada por Eutrópio no Campeonato Paranaense, mas, certo dia, chegou a vez do alemão assumir o controle. E foi aí que as diferenças culturas (e de futebol) entre brasileiros e europeus começaram a falar alto.

ROBERTO SOUZA/BONGARTS/GETTY IMAGES

Lothar Matthaus Treino Atletico-PR 31/01/2006
Matthaus durou pouco, mas ficou na memória

“Mostrei o vestiário, ‘olha, é aqui que o pessoal reza, é aqui que faz isso, aqui que faz aquilo’, aí me despedi e desejei boa sorte. O cara tomou um susto (risos)!”.

Começa aí o diálogo que Eutrópio lembra entre gargalhadas, intermediado pelo tradutor pessoal de Lothar Matthaus.

Matthaus: Aonde você vai?
Eutrópio: Ué, vou lá para cima, na cabine, acompanhar o jogo!
Matthaus: Você vai me deixar aqui, sozinho?
Eutrópio: Sim… Qual o problema?
Matthaus: Eu não conheço ninguém aqui! Fica você, que é o cara mais importante.
Eutrópio: Não posso, eu tenho que ficar na cabine, são ordens.
Matthaus: Mas quem vai ficar aqui?
Eutrópio: O médico, o massagista, o preprador físico e você.
Matthaus: Mas o que o preparador físico faz?
Eutrópio: Ele vai aquecer os jogadores antes de entrarem em campo.
Matthaus: Só isso? Jogador sabe aquecer sozinho! Manda ele embora e fica aqui você!

Mas Eutrópio não ficou, e Matthaus teve que se virar sozinho…

“Na Europa, era normal os auxiliares ficarem junto no banco de reservas, trocando ideias, mas aqui eu via o jogo da cabine e conversava com ele pelo radinho. No começo, ele assustou, viu!”, sorri o comandante da Chapecoense, que também já passou por muitros outros times do Brasil e do mundo, inclusive o Fluminense.

“Apesar das dificuldades do início, ele se dava muito bem com os jogadores. Era um cara muito tranquilo, boa-praça… Mas essas situações fazem a gente dar risada até hoje”, completa.

Jantar cronometrado, cervejinha com a turma e esposa brava

Como todo bom alemão, Lothar Matthaus era metódico com algumas coisas. Ressabiado com a velocidade que os jogadores engoliam as refeições, o treinador implantou uma regra nova: todos os atletas deveriam ficar pelo menos 30 minutos comendo. Mesmo se o prato já estivesse finalizado, deveriam ficar na mesa esperando o tempo passar, só aí ganhando permissão para se levantarem e se retirarem.

Não deu certo…

“Ele achava que os brasileiros comiam muito rápido e estabeleceu essa regra. Aí um dia ganhamos de 5 a 0 e ele marcou o jantar para 19h. Quando deu 19h20, ele chegou ao refeitório todo arrumado, roupa bonita, pronto para a confraternização. A hora que ele olhou, só estava a comissão técnica, os jogadores já tinham todos ido para os quartos. ‘Cadê os caras?’, ele perguntava, e a gente explicava que eles já tinham ido, que era assim mesmo e não ia mudar. Mas ele não achou graça, queria que eles tivessem ficado os 30 minutos”, narra.

Mal sabiam os jogadores do elenco rubro-negro que o técnico tinha planos bem mais ousados para aquela noite.

“Ele falou: ‘Puxa, estou chatado. Ia convidar os jogadores para irem ao bar comigo tomar uma cerveja para a gente festejar essa goleada!’ (risos). A gente morreu de rir, falei pra ele que no Brasil não tinha como fazer isso, a torcida ia pegar no pé. Era um cara de cultura totalmente diferente, e os jogadores adoravam. Eu fiz boa amizade com ele”, recorda.

Depois que Matthaus foi embora, Eutrópio e o alemão nunca mais se falaram. Por meio de um amigo em comum, trocaram mensagens e mandaram abraços, mas não voltaram a se encontrar. O treinador da Chapecoense revela, porém, o verdadeiro motivo por trás do inesperado adeus do lendário meio-campista da seleção da Alemanha.

ORLANDO KISSNER/AFP/GETTY IMAGES

Lothar Matthaus ApresentacaoAtletico-PR 31/01/2006
Matthaus com a bandeira do CAP

“Ele foi embora por questões familiares, por causa da mulher. Ela fez jogo duro para não vir pra cá, a distância para a Europa era muito grande e ele teve que fazer uma opção: trabalho ou família. Ele escolheu a família e foi embora”, explica.

A mulher em questão era Marijana, ex-modelo por quem Lothar se derretia de amores e tem dois filhos. Foi ao lado dela que ele assistiu à final da Copa do Mundo de 2006, entre Itália e França, pouco tempo depois de abandonar o CAP. O amor acabou em 2008, quando o casal se separou. A amizade, no entanto, permaneceu, e a ex-esposa leva até hoje o sobrenome de Matthaus nos documentos.

Depois disso, Lothar se envolveu em mais algumas aventuras, comandando Red Bull Salzburg (Áustria), Maccabi Netanya (Israel) e a seleção da Bulgária. Também pagou alguns micos, como recusar uma ofeira de emprego no Racing, da Argentina, por mensagem SMS. Nem ligou para agradecer…

ANDREAS RENTZ/BONGARTS/GETTY IMAGES

Lothar Matthaus Marijana Esposa Copa do Mundo 2006 Alemanha Final Italia França 09/07/2006
Lothar e a ex-mulher Marijana na Copa-2006

Na vida pessoal, seu coração seguiu em um turbilhão de emoções. Em 2010, casou-se pela quarta vez, desta vez com a modelo Kristina Liliana Chudinova. A ucraniana, contudo, foi flagrada por paparazzi traindo o marido com um empresário italiano, e a união foi anulada. À época, um resignado “chifrudo” abriu o coração e disse ser a “vergonha de seus pais”.

Definitivamente, não deve ser fácil ser Lothar Matthaus…

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