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Marina: a Branca de Neve Atleticana !! Por Rafael Lemos

Rafael Lemos logo Era uma vez uma menina linda que se chamava Marina. Ela namorava um menino muito lindo chamado Rafael Lemos (cabotino, não: realista!). Ambos tinham 19 anos, pois a história de hoje aconteceu em 1995, no domingo de Páscoa.

Após o almoço, Marina e Rafael foram ao Estádio Pinga-Mijo, também conhecido como Erasmo Carlos – o Tremendão, pois lá aconteceria o Atletiba de Páscoa eis que, como já disse, era domingo de Páscoa.

Marina e Rafael Lemos formavam um belo casal unido pelo amor em geral e pelo amor ao Atlético Paranaense em específico. A coisa corria tudo na mais santa paz naquele domingo até que fugiu ao controle. O xoxa fez um, dois, três, quatro e cinco gols. No último tento, Marina caiu nos braços de Rafael Lemos e dos braços do Rafael Lemos ela caiu no chão: desacordada.

E desacordada permaneceu por incríveis 19 anos, só vindo a acordar ontem, dia 18 de abril de 2014. Ao despertar, Marina chamou pela mãe. Imediatamente, a mãe foi ao encontro da filha e, emocionada, exclamou: “Marina, você acordou! Graças a Deus! Graças a Deus!”.

Marina, achando aquilo um exagero, limitou-se a dizer: “Sim, mas qual é o espanto? É a primeira vez que você me vê acordar, mãe?”. E diante da observação da filha, a mãe tratou de explicar os porquês de sua admiração e contou para a Marina que a moça, convertida numa espécie de Branca de Neve Atleticana, estivera puxando um ronco que já durava inacreditáveis 19 anos!

Ouvindo a insólita narrativa materna, Marina saltou da cama e foi se olhar no espelho, para ver se a passagem dos tais 19 anos tinham operado nela algum efeito danoso, como rugas, celulite e/ou cabelos brancos. Para seu júbilo e contentamento, o cochilo prolongado tinha feito o milagre de manter intocados o belo rosto e o corpo escultural. Marina conferiu o bumbum no espelho, inspecionou o umbigo e – passando as mãos pelos seios – indagou saudosa: “Ó Rafael Lemos, por onde andas tu, meu amor?”(Shakespeare só foi o que foi porque Rafael Lemos ainda não tinha nascido!).

Dado o suspiro erótico-nostálgico da filha, a mãe resolveu ligar para o Rafael Lemos (eu, no caso) e avisar que Marina havia acordado, depois de incríveis 19 anos sobre o colchão. Rafael Lemos, que de bobo só tem um amigo Otorrino, chegou à casa de Marina em exatos 57 minutos (foi o tempo de pegar o busão e ir de “A” para “B”, mas em Curitiba o busão demora…) e logo foi entrando no quarto (e só não entrou nu, pois a mãe da moça insistia em ocupar o cenário!).

– Marina, você acordou!-

Sim, Rafael, eu acordei!

(Esse diálogo aí de cima ficou muito ruim, mas não consegui imaginar coisa melhor! Avanço…)

O fato é que os dois se reencontraram e– papo vai, papo vem – Marina se lembrou do jogo da Páscoa de 1995.

– Rafa, depois do quinto gol eu caí nos seus braços e depois não me lembro de nada! O xoxa chegou a fazer o sexto?

– Não, Marina! Aquele jogo acabou 5×1 pros verdes e foi um domingo triste, porém por paradoxal que possa parecer foi um domingo maravilhoso para as coisas do Clube Atlético Paranaense!

– Mas como é que pode ser maravilhoso um domingo em que a gente tomou um sarrafo de 5×1, Rafa? (Taí: uma moça não deve falar a palavra “sarrafo”, pois não fica bem na boca de uma dama).

– Marina, é que depois daquele 5×1 surgiu na vida do Atlético um homem chamado Mario Celso Petraglia!

Quando eu falei “Mario Celso Petraglia”,a Marina ficou me olhando com cara de “nunca ouvi falar!” e aí eu tive de atualizar para ela a vida do CAP nos últimos 19 anos, tempo em que ela passou babando na fronha.

Contei para ela do soco que o Petraglia deu na mesa, do time que subiu em 1995 para a Série A, da demolição do velho Joaquim Américo, da construção da Arena da Baixada, da indicação da Arena para a Copa do Mundo de 2014, dos 5 paranaenses conquistados na Era Petraglia, das quatro Libertadores disputadas, do nosso vice na Libertadores de 2005, da final da Copa do Brasil de 2013, do jogador Atleticano que foi pentacampeão do Mundo com a Seleção brasileira em 2002, da nossa Camisa que foi parar na Cápsula do Tempo, do Campeonato Brasileiro que conquistamos em 2001, do vice nacional em 2004, do CT do Caju e do Projeto que nos levará a ser um dos maiores Clubes do Mundo!

Ela olhava para a minha cara como se dissesse: “Que mentira!” e foi aí que eu saquei um laptop (ela ficou admiradíssima com o moderno aparelho!) e passei a acessar os sites para provar pra ela que tudo isso tinha realmente acontecido. Ao cabo de três horas de intensa navegação, Marina estava definitivamente maravilhada e convencida: o Clube Atlético Paranaense, enfim, havia se tornado um Clube grande no cenário do futebol brasileiro!

Admirada, ela me disse:

– Rafa, o Petraglia é um gênio, não?

Respondi o óbvio:

É, Marina! O Petraglia é um gênio!

Ela prosseguiu:-

Já imaginou conhecer o Petraglia, Rafa?

Respondi o inacreditável:-

Eu conheço o Petraglia, Marina!

Como ela duvidou, mostrei no laptop uma foto na qual aparecem eu e o Petraglia. Ela ficou pálida de espanto e quis saber como é que eu havia conhecido o Petraglia. Recorri outra vez ao laptop, mais precisamente ao google, e mostrei para ela algumas colunas que eu havia escrito nos últimos dez anos. As colunas explicariam as coisas!

A Marina navegava pelas minhas colunas e ria: “Olha a tua caricatura!”… E ficava curiosa: “Essa história da pipa é verdade?”… E ficava triste: “Tadinha da menininha negra que morreu!”… E ia tirando suas conclusões: “Você gosta mesmo do Petraglia hein, Rafa?”… “Ele salvou o nosso Atlético!”… e depois ria de novo: “Que puxa-saco você hein???”,pra de novo concluir: “Ele salvou o nosso Atlético! Ele merece toda a nossa admiração!”.

E também eu tive de contar pra Marina que nos últimos 19 anos nem tudo tinha sido cor-de-rosa na vida do Atlético. Falei pra ela do MM e do rebaixamento que ele, como herança maldita, nos deixara. Uma vez mais recorri às minhas colunas. A Marina lia e ficava indignada:“Como ele pôde??? Sujeitinho incompetente! Esse MM é o pior dirigente de nossa História!”, mas depois eu a tranquilizei: “Olha aqui, Marina: o Petraglia voltou! Pode ficar calma: o Petraglia voltou e reconduziu o Atlético à Elite do Nacional!”.

E Marina lia as notícias e as colunas com brilho renovado nos olhos: “Ele voltou! A Arena foi concluída para a Copa de 2014! O Atlético tem um projeto para o futuro! O Atlético terá um futuro, Rafa!!!”.

Feliz da vida, Marina – recém acordada –só agora se dava conta, ao me olhar com mais atenção, que o tempo para mim passara.

Se ela estava intacta, não se podia dizer o mesmo de mim. Marina reparou nos meus cabelos brancos e nas entradas produzidas pela falta de alguns deles. Descobriu no meu rosto algumas rugas e não lhe foi difícil constatar o aporte de pelo menos 18 quilos concentrados principalmente na minha barriga proeminente. Tentei me defender:

– Passaram-se 19 anos, Marina! Não tenho mais 19 anos! Botar o Atlético de novo nos trilhos foi um trabalho difícil até para quem como eu só escreve umas coluninhas…

Ela sorriu. Pediu-me que lhe deixasse o laptop para que pudesse se atualizar, afinal ficara 19 anos dormindo. Deixei com ela o computador, criei-lhe uma conta (marina_de_neve@gmail.com), ensinei a escrever os e-mails e deixei com ela meu endereço virtual. Fiz mais. Coloquei-me à disposição dela: “Marina, qualquer dúvida, me passa um e-mail que eu te respondo!”.

Assim ela fez. Os e-mails foram chegando e as respectivas respostas foram sendo prontamente disparadas.

“O que era o CAP4EVER, Rafa?” – Minha resposta na ponta da língua! “E CAPGIGANTE?” – resposta na lata! “Quem é o Catraca? Quem é Napo? Arubu? E RB2, quem é?” – e lá se foi mais uma leva de esclarecimentos!

Até que ela quis saber: “Quem é Edith que você tantas vezes cita em seus textos?”. Em face da minha resposta sincera, Marina – a Branca de Neve Atleticana – me mandou uma mensagem que é melhor não reproduzir, sob pena de matar de susto os Sete Anões (na mais branda das expressões, a princesinha boca-suja me chamou de Pluto e depois bloqueou/deletou o meu e-mail).

Não é à toa que as palavras “ciúme” e“crime” se parecem tanto.

Ah, as mulheres: o que seria deste Mundo sem elas? Cinderelas, Brancas de Neve, Belas e Feras: sem elas este Mundo seria um rascunho desanimado!

E assim se contou a história de uma menina linda e Atleticana que se chamava Marina. Ela namorava um menino muito lindo chamado Rafael Lemos. Ambos tinham, em 1995, 19 anos. Daí ela dormiu por 19 anos; o Petraglia apareceu pra salvar o Clube Atlético Paranaense; e o Rafael Lemos… bem, o Rafael Lemos não vai ter salvação nunca!!!

 

(E como diz nos finais dos desenhos da Disney: THE END!)

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