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É mais vilã a mão que segura o copo ou a que o serve? Por Rafael Lemos

Rafael Lemos logo  Mesmo sendo eu macaco velho, recebi com alegria a contratação de Adriano Imperador pelo Clube Atlético Paranaense com vistas à temporada 2014, notadamente para a Libertadores da América. Queiramos ou não, a vinda de um medalhão sempre agita o futebol do Paraná, pois ainda trazemos conosco algo de provinciano. E o Adriano era, inegavelmente, alguém que atraía a grande imprensa nacional e boa parte dos jornais do Mundo. O Atlético Paranaense estava no centro das atenções e isso agrada o torcedor comum. Falem de nós – bem ou mal, mas falem. E se o Adriano chegou sob reticências, chegou também sob exclamações. E chegou sob a interrogação: “vai mudar?”.

A mudança de Adriano era o grande desafio não só para o Atlético Paranaense, mas para o próprio Imperador. Era preciso lutar contra muita coisa e o Adriano lutou. Passou o Carnaval 2014 em Curitiba, concentrado no CT do Caju. Para um carioca do samba, do funk, do morro e da noite foi algo como transformar água em vinho. O milagre parecia possível e o Adriano se mostrava firme no propósito de voltar a ser o grande jogador de outrora. Mas o milagre não veio, os bons resultados não vieram e a noite caiu. E com a noite vieram os velhos vícios e tentações e todo o cenário típico que envolve o vício: os falsos amigos, as mulheres fáceis, a bebida farta, a noite longa e – certamente – a ressaca. Ou as ressacas, eis que físicas, morais, profissionais, familiares, sociais e não duvido que se possa elencar outras tantas, que ora me fogem.
Escrevo esta coluna ao mesmo tempo em que noutro canto de Curitiba o futuro de Adriano no Clube Atlético Paranaense está sendo decidido. É fácil apostar na rescisão. Os resultados não vieram e o Adriano falhou no seu propósito de responder com gols e boas atuações toda a confiança depositada pelo Atlético. Contrato de risco – como deveria ser, posto que envolvia a maior incógnita do futebol brasileiro da última década. Negócios são negócios. O homem – infelizmente – reduzido a um apenas objeto. Dar ou não resultados, render ou não render: eis a questão. Questão de vida ou morte. Talvez eu exagere, mas questão que envolve vida, inegavelmente.
Torci pelo sucesso do Adriano no Atlético Paranaense, não só pelo sentimento de torcedor – que quer ver o homem-gol do seu time de coração enchendo o balaio do adversário – mas torci pelo sentimento humano de ver o homem recuperado. Como teria sido bom recuperar o Adriano como ser humano. Mas o copo venceu o corpo (outra vez!). Como ser humano e resistir a tantos apelos? As mulheres fáceis, as bebidas fartas, o dinheiro que excede todas as expectativas do menino que nasceu pobre e viveu a pobreza. Como resistir a tudo isso?
Muitos vão atacar o Adriano. Dirão: “Vagabundo! Bêbado! Sem-vergonha!”. Muitos o defenderão: “É um doente! Um coitado! Uma vítima!”. Haverá chavões e lugares-comuns. Eu não farei uma coisa, nem outra. Na absoluta tristeza de ver mais um grande atleta do futebol perdido nos maus caminhos dos vícios (e os vícios são tantos!), vou me manter na condição de simples torcedor. Não o simples torcedor do Atlético Paranaense, papel que desempenho há 32 anos, mas o torcedor comum que espera ver o Adriano recuperado como ser humano.
É preciso resgatar o homem antes de se pensar em resgatar o atleta. E talvez só seja possível resgatar o homem, pois o atleta pode não ter mais salvação. Mas se for assim, que se resgate o ser humano. Que o Adriano Imperador volte a ser apenas o Adriano. Quem sabe hoje perder a fama não signifique preservar a vida, Adriano?
Seja qual for a decisão a ser tomada nas próximas horas pelas partes (a saída ou a permanência de Adriano no Atlético-PR), é preciso que o futebol brasileiro analise seus tantos problemas e contradições. Dentre eles está o álcool, que tem matado talentos e abreviado vidas ao longo da História do Futebol do Brasil, mas é – cínica e escancaradamente – o maior anunciante da bola em nosso País (há em nossos mercados até mesmo cerveja produzida com matéria-prima plantada na Granja Comari, com direito a Felipão como “garoto”-propaganda!).
Afinal nunca alguém soube responder com certeza se é mais vilã a mão que segura o copo ou a mão que o serve. No entanto uma certeza existe: nesse copo que condena o corpo há digitais de vítimas e de bandidos, mas a embriaguez coletiva parece turvar visões e consciências, desde os tempos de Garrincha, a vítima do álcool mais famosa do futebol brasileiro. Mas não a primeira, tampouco a última.
P.S.: “A FIFA, o órgão mundial que rege o futebol, ordenou que o anfitrião da Copa do Mundo de 2014, o Brasil, vendesse cerveja em todos os locais onde houver jogo, segundo relatos da mídia na quinta-feira. O secretário-geral Jerome Valcke disse que o governo brasileiro deve derrubar a proibição de bebidas alcoólicas no interior dos estádios, informou a BBC. “As bebidas alcoólicas fazem parte da Copa do Mundo da FIFA, então, nós as teremos. Desculpe-me se soo um pouco arrogante, mais isso não é algo negociável”, disse Valcke aos jornalistas, segundo a emissora. Ainda acrescentando, “O fato de termos o direito de vender cerveja deveria ser parte da lei.” No mínimo, a FIFA disse que os 12 estádios brasileiros que hospedarão as partidas devem vender cervejas Anheuser-Busch da InBev, que é a patrocinadora oficial do torneio, informou o Financial Times”.
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Rafael Lemos

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Um comentário em “É mais vilã a mão que segura o copo ou a que o serve? Por Rafael Lemos

  1. Grnde Rafael Lemos, a verdade é que o caso Adriano, ate uma criança de 5 anos de idade sabia o fim que iria dar ..evidentemente, não seria o Atlético (nem tem obrigação) de cura-lo, e sabemos que o vicio não é facil de se livrar…Portanto , passou, agitou e da mesma maneira se foi…alias deveria levar o Portugal com ele, aproveitando o voo..
    Quanto bebidas no estádio, o Brasil com seu governo deveria se impor e NÂO deixar que a FiFA ditasse regras, moralizando o pais.. Alias, será que pelo menos a metade dos torcedores que beberem, vão pegar taxi após o jogo…..estranho não?
    abraxxx

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