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Depois daquele Domingo… Por Rafael Lemos

Rafael Lemos logo Foi isso mesmo. Foi no Domingo de Páscoa de 1995. 5X1 pros Coxas, mas não me lembro quem marcou os gols. Sei que o Brandão fez pros verdes. Uns três. Poxa, faz tanto tempo, como é que você quer que eu lembre dos detalhes? O que veio depois? Depois a gente saiu do Couto sob risadas deles, a gente não tinha coragem de levantar os olhos, a vergonha era muito grande. Aí na segunda teve uma reunião no Atlético: duas dúzias de atônitos zumbis tentando explicar o inexplicável e jogar a culpa um no colo do outro. O Zraik segurou o rojão, a culpa não era dele, a culpa não era de ninguém. Era um Clube de 71 anos que sobrevivera até ali de forma amadora e apaixonada. Culpa de quem? Os abnegados tocavam do jeito que dava e fizeram demais. O Zraik aguentou o rojão até o final e passou pra quem quis pegar ué? Se eu votei no Onaireves pra Presidente do Atlético em dezembro de 1996? Cara, ele era o único candidato! E tinha feito um grande biênio 82-83. Por que eu não acreditaria nele? Agora é fácil você me dizer que fizemos tudo errado, mas a opção de reafirmar o Pinheirão como casa do Atlético em 1998 parecia o melhor a se fazer e a gente de fato fez. Vendemos o terreno do antigo Joaquim Américo (na época era o Farinhacão) e aportamos os 10 milhões de dólares no Pinheirão, para fazer a conclusão do segundo anel, mas o Moura calculou mal e foram necessários 35 milhões [de dólares]. Hoje a dívida é mesmo essa que você apurou: 200 milhões de reais. Cara, vocês  da imprensa não sabem nada: dívida se administra, se administra! O empréstimo de 100 anos e o uso do Pinheirão por 100 anos: eu confirmo. Foi assinado em 1998, vai até 2098. Agora caem de pau, mas na época era o melhor. Era a casa do Atlético, era nossa afirmação. A reeleição dele [Onaireves] em 1999 veio na esteira do Pinheirão. O estádio tava feito, mas a gente precisava de receita pra pagar. Só que a média de público do Atlético nos estaduais de 1999 a 2001 foi de 1.700 pagantes. Ninguém paga pra ver Atlético x Toledo! O Pinheirão era isso: 1.700 pagantes no estadual e 4.300 no Nacional. E no Nacional jogando a Série B pra não cair: quem é que vai? Esqueça: o torcedor vai na boa, a maioria só vai na boa, cara! Daí somaram-se as dívidas: da obra e do futebol. Uma bola de neve. O futebol é caro e deficitário. E veio a hegemonia do Paraná Clube e agora a volta da hegemonia dos verdes. Se eu lembro do nosso último título? Claro. Eu estive lá. 05 de Agosto de 1990. 2×2 contra os verdes. Gol contra do Berg. Já se vão quase 24 anos né? Porra: eu tinha 15 anos hoje tenho quase 39! Time como aquele nosso de 1990 nunca mais. Aquele time deixou saudade. Marolla, Odemílson, Gilberto Costa, Carlinhos Sabiá e Dirceu. E todos sob a batuta do Zé Duarte! Tempos bons que não voltam mais. Voltam, claro que voltam! Afinal se eu, como presidente do Atlético Paranaense, não acreditar, quem acreditará né?  Eu sei, são 24 anos na fila do paranaense, são 12 temporadas na Série B do Nacional, sendo que nas últimas três quase caímos pra Série C, tem essa penhora do Pinheirão [o Clube Atlético Paranaense deve, em valores atualizados, 334 milhões de reais e desde 2009 manda seus jogos na Vila Olímpica do Boqueirão, pois o Pinheirão está lacrado pelo Poder Judiciário], mas estou conversando com o Joel [Joel Malucelli, proprietário do Jota Malucelli] sobre a fusão. Nosso passivo vai ser quitado pelo Joel, nossa casa vai ser o novo Janguitão [com capacidade prevista para 19.000 lugares já para Dezembro de 2014] e vamos manter nosso vermelho e preto. O nome ainda gera discussão. O Joel quer mudar, eu não abro mão de Clube Atlético Paranaense, mas o dinheiro é dele né: algo vamos ter de ceder [riso amarelo e mais um cigarro aceso por Rafael Lemos. Em duas horas de entrevista, é o nono cigarro]. O futuro do Atlético? Difícil dizer. Vou trabalhar muito pelo Clube. Nosso passivo está aí, é de conhecimento geral. Acho que a parceria com o Joel [Rafael Lemos, em certos momentos, evita falar em fusão] pode transformar o Atlético num time grande como é hoje o Paraná Clube. E, quem sabe, a gente não dê tão certo a ponto de encostar no Coritiba? E por que não montar de novo um timaço como aquele do estadual de 1990? Como dizia o samba-enredo “Sonhar não custa nada!”. Essa foto amarelada da antiga Baixada? É só um retrato na parede, mas como dói! [Rafael Lemos procura mais um cigarro no maço, acende, os olhos estão marejados. Despede-se de mim com um pedido “Cahuê, não vai escrever que me viu chorando, cara! E bata a porta quando sair: quero continuar sozinho…”].

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Entrevista concedida em 21 de março de 2014 pelo Presidente do Clube Atlético Paranaense, Rafael Fonseca Lemos, ao Repórter Cahuê Miranda, da Tribuna do Paraná.
Ah, não foi nada disso é? Depois daquele Domingo de Páscoa de 1995 a coisa só melhorou pro Clube Atlético Paranaense?
Mas então alguém me conte como é que foi…(e há xaropes que ainda ousam falar mal do Mario Celso Petraglia, né?)
capest02
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