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O destino está sempre ao lado dos que sabem lutar !! Por Rafael Lemos

Rafael Lemos logo “… e quando a bola enfim rolou na Arena da Baixada, no primeiro jogo da Copa do Mundo de 2014, a torcida presente gritou em uníssono: “Petraglia! Petraglia!”. Emocionado, o Presidente do Clube Atlético Paranaense acenava para o público em retribuição, deixando todas as demais autoridades num incômodo segundo plano típico dos coadjuvantes. Vencida a longa batalha, a Copa do Mundo em Curitiba repousava em paz nos braços do seu idealizador como um filho que retornasse à casa paterna depois de anos no rude front de batalha. Curitiba jamais esqueceria os quatro jogos com que foi brindada naquele já distante Junho de 2014. E o que seriam jogos inexpressivos, no dizer dos ferrenhos opositores de Petraglia, transformaram-se em capítulos memoráveis da História do Futebol do Paraná”.

O parágrafo acima, em tom de Biografia, poderia encerrar o trecho destinado ao tema “Mario Celso Petraglia – Atlético Paranaense – Arena da Baixada – Copa do Mundo de 2014”. Mas se fosse assim redigido, poderia  trazer consigo a falsa ideia de que a história toda fora plácida e serena como um mar de cartão postal. E não foi. Ao contrário, a história da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014 foi tumultuada e cheia de percalços e se teve final feliz é porque o Petraglia – sem saber que era absolutamente impossível – foi lá e fez. E lutou contra tudo e lutou contra todos. Lutou sozinho, lutou apoiado por companheiros e, sobretudo, lutou até o fim.
No princípio, e estamos falando de 2007, logo após o Brasil ter obtido o sim da FIFA para ser o anfitrião da Copa de 2014, o Estado do Paraná, à época governado por Roberto Requião, indicou o eternamente problemático estádio do Pinheirão para ser o palco curitibano da disputa. Roberto Requião – sem raízes no futebol e desafeto político de Petraglia, este historicamente ligado a Jaime Lerner – matava com a indicação do Pinheirão o problema de apontar o estádio para a Copa e ainda impedia (ou comprometia seriamente) o sonho de Petraglia de ver a Arena da Baixada como estádio curitibano da Copa de 2014. Em torno do Pinheirão, coxas e paranistas passaram a fabricar maquetes e a sonhar com o empreendimento comum que os levaria a ter no Tarumã o mesmo endereço.
Irresignado, Petraglia, em todos os meios de comunicação, passou a defender a Arena da Baixada como o estádio para a Copa do Mundo de 2014. Dois pronunciamentos dele me foram suficientes para comprar a briga e advogar a causa da Baixada na Copa de 2014. E a partir de abril de 2007, já ocupando espaço na furacao.com como colunista (anteriormente eu era colunista do extinto RubroNegro.Net), dei início à pequena parte que me caberia nesse latifúndio e, mesmo como voz isolada naquele veículo, defendi com veemência a realização da Copa do Mundo de 2014 na casa Atleticana. Ainda em 2007 o Pinheirão é lacrado pela Justiça e isso faz aumentar as chances de a Arena ser o palco curitibano para a Copa. Coritiba e Paraná esboçam oposição – mais por autofagismo do que por reunir condições para erguer um estádio. Minhas colunas – isoladas no site – passam a ter Coritiba e Paraná Clube como alvos. Meus textos crescem à medida que a oposição ao CAP aumenta.
Na esteira de um desses textos que escrevi, Mario Celso Petraglia, em julho de 2008, fez comigo o primeiro contato, por e-mail. Nos anos que se seguiriam haveria uma aproximação que até hoje me causa surpresa e orgulho – afinal de contas sempre fui um torcedor comum, condição que ainda mantenho. Nessa mesma época, apareceu-me – pela mesma via – o Dr. Ricardo Barrionuevo, Médico e Atleticano, que com rara habilidade aproximou-se do Petraglia, fundou um Site dedicado ao Atlético (cap4ever, embrião da Chapa CAPGIGANTE), reuniu numerosos Atleticanos alinhados ao MCP (e que vieram dos mais diversos cantos), criando com isso uma base forte de apoio chamada de Petraglistas. Isso se deu em final de 2008 e começo de 2009, justamente no período em que Marcos Malucelli – eleito com o apoio de MCP – dava mostras de que romperia os laços com o Petraglia.
Marcos Malucelli – rompido de vez com MCP – passava a ter ojeriza pela Copa de 2014 e era público e notório que se dependesse dele a Arena não receberia nem um tijolo sequer (ou nem um azulejo, para que se faça justiça ao discurso do próprio Malucelli). Em 2009, MCP – fora do Atlético Paranaense – tentava conscientizar Curitiba de que ela era candidata à sede da Copa e de que a Copa deveria ser, sim, na Arena da Baixada, caso Curitiba fosse confirmada como uma das 12 cidades. Em 31 de Maio de 2009 veio a confirmação de Curitiba, o que não significou que os caminhos estariam abertos para a conclusão da Arena da Baixada. Petraglia formalmente estava fora do CAP e o Atlético nas mãos do desafeto Marcos Malucelli, antipático à ideia de Copa na Arena.
A luta que a partir de Maio de 2009 se impunha era captar recursos para a conclusão da Arena da Baixada. Para isso – e como sempre – Petraglia estava sozinho. As autoridades (municipal e estadual) dormiam em berço esplêndido em face do tema Copa do Mundo, como se quisessem transparecer ao povo de que se tratava de assunto privado, embora a Cidade de Curitiba e o Estado do Paraná viessem a ser beneficiários do Mundial, ao receberem milhares de turistas. O Empresariado local também dormia, sonhando com lucros e se mantendo distante do pesadelo que era botar a mão na massa. Sozinho – como sói acontecer com os grandes líderes – Petraglia teve de lutar contra tudo e contra todos.
Pelo caminho, Mario Celso Petraglia encontrou os mais diversos adversários: coxas e paranistas; atleticanos de oposição; jornalistas e donos de jornais; políticos; auditores e conselheiros do TC; colunistas profissionais e amadores; mais os ressentidos, invejosos e traidores. Donos de construtoras, lobistas de empreiteiras, engenheiros, advogados, ilustres e anônimos. Isso sem falar dos entendidos em tudo (os professores de Deus) que sempre dão aulas nas redes sociais. Qualquer um teria desistido, mas Mario Celso Petraglia – definitivamente – não é qualquer um. Enfrentou todos, enfrentou um por um e nas Noites das Grandes Fogueiras chamou para si a responsabilidade de terminar a Arena e de realizar a Copa do Mundo em Curitiba. No final de 2011 foi eleito uma vez mais Presidente do Clube Atlético Paranaense – por meio da Chapa CAPGIGANTE, com 67% dos votos dos sócios do CAP e com o apoio dos petraglistas, a essa altura já convertidos em amigos pessoais.
Assumiu em janeiro de 2012 um Clube que havia sido deixado na Segunda Divisão do Futebol Nacional pela Administração de Marcos Malucelli. No mesmo 2012 voltou à Elite. Em 2013 classificou o Atlético Paranaense para a disputa de sua quarta Libertadores da América após terminar o Nacional na 3ª posição. Mesmo priorizando a conclusão da Arena da Baixada, conseguiu também em 2013 chegar pela primeira vez a uma final de Copa do Brasil. O Atlético Paranaense recobrava o respeito do Brasil e voltava a ser o Furacão das Américas. Estádio e autoestima em processo acelerado de (re)construção. O prometido CAPGIGANTE se tornava realidade. Sem saber que era impossível, Petraglia foi lá e fez.
E quis o destino que neste 2014 – ano que marca o centenário do Estádio da Baixada, o nonagésimo aniversário do Clube Atlético Paranaense e a realização da segunda Copa do Mundo no Brasil – Mario Celso Petraglia, tendo completado 70 anos de idade também em 2014, cumprisse o que certa vez me prometera: “Rafael, termino a Baixada ou não me chamo Mario Celso Petraglia!”.
A Baixada está quase pronta, a Copa do Mundo será aqui em Curitiba e fica provado – uma vez mais – que o destino está sempre ao lado dos que sabem lutar. E o Petraglia lutou com a bravura dos fortes e com a tenacidade dos guerreiros. E se é verdade que o homem se eterniza pela sua obra, pode-se afirmar sem medo que o Petraglia, no Clube Atlético Paranaense, é eterno, é eternidade.
“… e quando a bola enfim rolou na Arena da Baixada, no primeiro jogo da Copa do Mundo de 2014, a torcida presente gritou em uníssono: “Petraglia! Petraglia!” (…) Curitiba jamais esqueceria os quatro jogos com que foi brindada naquele já distante Junho de 2014. E o que seriam jogos inexpressivos, no dizer dos ferrenhos opositores de Petraglia, transformaram-se em capítulos memoráveis do Futebol do Paraná”.
E assim se escreveu a História!
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