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A paixão pelo Atlético é um negócio de maluco! por Rafael Lemos.

Rafael Lemos logo Sábado de Carnaval, 16h20, Jotinha Malucelli x Atlético Paranaense, com seu quadro Sub-23, válido pelo Campeonato Paranaense de 2014. De cara, dada a descrição, um jogo desinteressante, porque desinteressante o próprio certame – deficitário técnica e financeiramente. Esvaziado de grana e de bom futebol.

Faltando cinco minutos para …o início do que eu imaginava que seria um martírio para os olhos, fui à cozinha e do armário saquei uma de minhas tantas canecas do Atlético. Abri a térmica vermelha e preta, enchi a bela caneca e fui ao sofá assistir ao jogo na tevezona de papai, ao lado do véio. Ao sentar, critiquei o estadual: “Não vale nada, pai!” e com cara de saco cheio fiquei vendo a telona.

Mas bastou o Furacão entrar no gramado com a bela Camisa Rubro-Negra que algo clicou no meu coração. E o que era para ser um joguinho solto num estadual a ser esquecido passou a ser pra mim alguma coisa de grande relevo. E logo no primeiro ataque atleticano eu estava de pé no meio da sala, torcendo como nas noites em que decidimos a Copa do Brasil 2013.

Assim foi que quando Hernani, aos 12 da etapa inicial, abriu o marcador, numa bonita cabeçada, derramei boa parte do café da caneca e soltei um grito de gol digno de Arena da Baixada. Acabei acordando minha mãe que cochilava num dos quartos e veio de lá ver o que estava acontecendo, admoestando-me com a pergunta: “O que está havendo, Rafael?”, ao que respondi: “Mãe, é o Atlético! É o Atlético, mãe!”. Aos 34 da mesma etapa, mais café pra cima, gol do Atlético, Crislan, e a bronca agora do pai: “Não grite, Rafael!”. E depois a defesa que nada me defendeu: “Pai, é o Atlético! É o Atlético, pai!”.

Era o Atlético! E talvez nisso esteja a explicação de o jogo ter me absorvido tanto: não era o estadualzinho do Paraná, não era o certame deficitário, não era um jogo avulso numa edição perdida de campeonato anacrônico: era o Clube Atlético Paranaense! Era a Camisa Rubro-Negra! Eram 90 anos de História. E era, sobretudo, a velha paixão que trago no peito há 32 anos. Essa paixão de maluco pelo Clube Atlético Paranaense que faz a gente rir e chorar; querer morrer e desejar o sonho impossível de não morrer jamais, para poder eternamente torcer pelo Atlético!

Veio o segundo tempo e logo de cara um pênalti – que não existiu – marcado contra o Atlético. Olhos fixos na tevê, profetizei: “Pênalti mal marcado é mal batido. Rodolfo vai pegar!”. Não deu outra! O goleiro atleticano arrojou-se na bonita defesa, mais café eu derrubei e só não recebi a bronca paterna porque o véio de olhos arregalados só enxergava o milagre do arqueiro Rodolfo à sua frente. “Mas que baita goleiro esse Rodolfo hein? Guri de valor: errou contra o Londrina e saiu chorando de campo! Isso é caráter, isso é amor à Camisa, é vergonha na cara!”.

Da defesa de Rodolfo ao apito final ainda couberam dois gols: um para cada lado, tendo Lucas Alves assinalado o primeiro gol dele com a Camisa Atleticana. Final de jogo e de tarde: Atlético 3×1 Jotinha. Resultado que para o nosso Sub-23 eleva o moral para a sequência do certame e que, para mim, reforça a ideia de que a  paixão pelo Atlético é um negócio de maluco!

O amor pelo Atlético é um negócio químico, serotonínico, é endorfínico! Quando o Atlético Paranaense vence, eu fico feliz que nem criança! É uma sensação boa demais que faz bater mais forte o coração. É como passear na beira do mar, de mãos dadas, com a mulher que a gente ama e sentir o cair da tarde. É passar por cima de um adversário – cujos jogadores são mais experientes e dentro da casa dele – numa tarde amena de um sábado de Carnaval. E um jogo avulso de um campeonato ultrapassado disparou no meu peito a carga plena de emoção de um jogo de vida ou morte. É que não era apenas um jogo: era o Atlético! É que não era apenas mais um compromisso dentro de um estadual desvalorizado: era o Amor! E o amor, amigos, a gente não explica: o amor a gente vive…

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