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UM IMPERADOR NA TERRA DOS ACÉFALOS. por Victor Augusto Iannuzzi Corrêa

Parem as máquinas! Depois de tantas idas e vindas, créditos, descréditos, raiva e uma grande dose de devoção antecipada sendo destilada em nosso meio, eis que Adriano, aquele mesmo, passa a ser, oficialmente, jogador do Clube Atlético Paranaense. Por mais que todo mundo já soubesse, desde a épica vitória sobre o Sporting Crist…al, que era questão de dias para as partes formalizassem seus papéis, foi somente nesta terça-feira, 11 de fevereiro de 2014, que uma das contratações mais retumbantes da história do futebol da aldeia, concluiu-se.

Talvez o adjetivo “retumbantes”, então alocado ao final do parágrafo anterior, possa causar um certo desconforto em alguns. Afinal de contas, basta uma rápida olhada – ou oitiva, depende da situação – num dos “veículos de comunicação” existentes na terra onde ainda tem gente que se orgulha das estações tubos do Lerner, e que mastiga um passado não mais existente, e você irá se deparar com tudo, menos isso. A impressão que fica, aliás, é de estarmos diante de um noticiário policial. O disco enroscado, o discurso pronto e vazio a respeito – tão somente – da vida pessoal do atleta, que à exceção do Paraná e de seus jornalistas, é tido como um dos maiores avantes das últimas décadas, em escala mundial, corresponde ao nível dos comentaristas, analistas, contadores de piada e marqueteiros que dominam os espaços destinados à informação em nossa cidade.

Enquanto que na mídia internacional pipocavam matérias, manchetes e afins a respeito da nova empreitada de Adriano, e de tudo que o mesmo representa para os futebolistas de plantão, uma ilustre rádio local teve a pachorra de botar um “ninguém”, que nunca ganhou nada, e nunca jogou em lugar nenhum (minto, ele jogou naquele time ali da Igreja do Perpétuo Socorro… Ou seja, não jogou em lugar nenhum mesmo) para aconselhar – isso mesmo, aconselhar – o novo reforço atleticano.

Em outra estação, um faMoso cOmediante da mídia esportiva local, talvez com saudades do lobby – seguido das “mordidas” – em homenagem a verdadeiros pernas de pau que por aqui passaram, reduzia Adriano a uma jogada de marketing do Atlético. E só. Ademais, este mesmo fanfarrão – cujo desgosto ao narrar um gol atleticano escancara toda a sua mediocridade – questionava se o clube não deveria escalar Adriano para os jogos do Campeonato Paranaense, já dando a entender que jamais o Atlético se sujeitaria a fazer isso, e por consequência valorizar o campeonato. Ao dizer isso, porém, parecia esquecer que o grupo patrono de sua rádio, em cada referência a este mesmo Campeonato Paranaense, nunca, em quaisquer dos seus veículos, menciona a patrocinadora master – fomentadora, portanto, do esporte local – do certame, qual seja a Chevrolet. E agora, quem é que desvaloriza quem?

Não bastasse o pandemônio generalizado e uma campanha burramente negativa promovida pela imprensa local em relação à Copa do Mundo, as tentativas das “vozes por detrás dos microfones”, e das “mãos por detrás das penas” em macular, a todo custo, a imagem do Clube Atlético Paranaense, se perpetuam, dia e noite, sempre que há conveniência, e oportunidade necessárias. Em tempos passados, haviam de renegar a importância do Atlético porque, quem pagava os famosos jantares “boca livre”, em Santa Felicidade, era um saudoso chinês, ao qual deviam favores e mais favores. Já hoje, insistem em renegá-la por força da cólera que nutrem junto a Mário Celso Petraglia. E sem entrar no mérito, ou tomar partido do não menos idiossincrático presidente, que nesta terça-feira completou o seu septuagésimo aniversário, é óbvio que a birra eterna em relação ao homem, não poderia ser motivo, para uma desmoralização barata do Atlético, e das coisas relacionadas ao clube.

Assim como o outro time da cidade, no ano passado, experimentou da oportunidade ímpar em contar, nos limites de sua realidade estrutural e financeira, com um jogador muitíssimo acima da média chamado Alex, agora é a vez do Atlético fazê-lo. E se não houvesse tanta má vontade, e sobreposição de interesses pessoais em detrimento da informação, todos – do jornaleiro ao comentarista – envolvidos, e dependentes, desta casta profissional, também sairiam ganhando. Mas não é de hoje que a autofagia é a lei da sobrevivência na terra do lente quente. Fazer o quê?

Pra não dizer que não falei das flores:

Em meio ao contexto sugerido nesta humilde exposição, não poderia eu deixar de registrar o meu desprezo pelas tentativas vãs dos bem intencionado$ setorista$ e âncora$ dos programas de televisão, rádio, e chefia$ nas redações, em diminuir a vitória atleticana no último Atletiba.
Para citar o Coritiba, era regra fazer menção a “time alternativo”. Já quando era o Atlético que estava na ponta da língua, não se poderia deixar de citar os covardes “reforços” advindos do time principal – grande parte dos quais, tão novos quanto Otávio, Coutinho e companhia. Cinco peças que, somadas ao elenco por eles desconhecido, e mesmo dispensando qualquer prazo para adaptação, ou entrosamento, passou o trator por cima de um time que tinha, lá na frente, o fenomenal Keirrisson que, não sei por que cargas d’água, está “lá”, e não no Barcelona (interrogação).

Mas, para essas e outras ocasiões, vale aquele velho ditado: “os cães comentam, quer dizer, ladram, e a caravana passa”. Neste caso, uma caravana vermelha e preta, que se vê cada vez mais ilhada em meio a um oceano de ignorância; mas, que quando consegue dar as suas voltas e encontra um certo “time alternativo” pelo meio do caminho, passa por cima, sem dó nem piedade.

SRN

Victor Augusto Iannuzzi Corrêa

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